quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Não acredito no outro.
Não acredito nem em mim.

domingo, 4 de maio de 2008

Novo velho eu

Caros leitores,

Quanto tempo!?

Realmente há muito tempo eu não escrevo. Não pretendo expor aqui os motivos que me levaram a tomar essa decisão súbita. Apenas revelo que foi por questões mui importantes. Deixo aqui por enquanto essa lacuna, para que vocês possam preencher da maneira que quiserem. Podem inventar que eu estava doente. Podem dizer que eu estava atrás de um novo estilo, de uma nova forma, de uma nova fonte. Podem até se arriscar a pensar que o Senhor Literário não mais existe, não mais escreve neste blog, que ele desintegrou-se por completo, e um maltrapilho acabou encontrado a passagem secreta deste mundo, roubando sua identidade, sua escrita, seus textos. Creio que essa seria a hipótese que mais se aproxima da realidade (do que realmente aconteceu), e, de uma maneira ou de outra, ela abarca as outras hipóteses: Um bandido que rouba uma identidade e a transforma, procurando novos ares. Um novo escritor, que preferiu deixar o velho pseudônimo. Será que as coisas ainda continuarão como antes? Sangue e maça, ainda serão as principais figuras metafóricas deste novo eu? Sei lá, estamos num mundo onde tudo pode acontecer, eu preferiria: (des)acontecer. Sejam bem vindos, a este mundo novo, onde a poeira ainda predomina, onde as ruínas ainda não cederam e continuam a cair. Abro os meus braços, olho para cima e recebo com todo o impacto o que vem lá de cima. Uma luz fortíssima não nos permite ver, mas saibam de imediato: não é nenhuma musa. Este escritor conta apenas com a pena e a luz das velas. Tudo isso compõem o meu cenário, velho e poeirento.

Vou começar falando da vida e da morte. Senhor literário em Ruínas sempre quis criar um novo mundo, onde ele vivesse de ré sua vida, contrária a tudo o que já viveu. Esse era um blog que se pretendia transgressivo, uma passagem para o caos, para a vida sem freios, sem fronteiras. Era o que o Senhor Literário em Ruínas chamava de mundo morte. O mundo oposto, escuro. Nada mais coerente que um mundo em total ruína.

O velho escritor procurou inspiração no vermelho, no sangue e na maça. Descobriu que era verde, e a decepção cresceu dentro de si. Era o pequeno querendo ser grande. Procurou na menina delírio a força de falar, de expor e de contar sem medo e sem piedade, mas ela era escorregadia, fugidia. Apenas deixava um rastro de borboletas onde passava. O Senhor Literário engoliu algumas, o estilo da menina de cabelos vermelhos não suportava a sua escrita. Ele descobriu que tinha que tomar outro rumo. Ele precisava de novas figuras para falar daquilo que pensava, ele queria, assim como delírio e suas borboletas, vomitar tudo. Descrobriu-se um medroso, melancólico. Não era esta a imagem que ele queria passar. Resolveu viajar para dentro de si mesmo. Andou lendo a viagem vertical de Enrique Vila-Matas. Não foi o suficiente. A viagem o fez voltar para onde começou. Então, pensou no que poderia fazer.

O vermelho, as borboletas e a queda vertical, fizeram o eu se desencontrar e se perder no próprio labirinto que criará. Tornou-se impessoal a própria escrita, começou a tratá-la com desdém e descobriu, sem querer, que ela era a sua principal inimiga. A palavra era o verdadeiro motivo de sua ruína. Nada melhor que despistá-la, enganá-la – foi o que pensou.

Agora vocês estão em dúvida - sim, eu sei. Afinal quem está falando neste texto: o velho ou o novo? O começo parece indicar que é realmente o Senhor literário quem está falando, mas, em certo momento, a sua voz se subtrai e alguém começa a falar sobre ele, sobre mim.

Não, eu não sou um desdobramento subjetivo do Senhor Literário em Ruínas. Ele já era um desdobramento do eu-tolo, e acabou descobrindo que era tão tolo quanto. Desesperado, Ruínas fugiu e empreendeu uma nova viagem, largou para trás tudo o que gostava, o blog e as pegadas. Foi aí que nos conhecemos. Ele estava acabado, velho e cansado. Era visível o seu sofrimento. Eu, em contrapartida, era um jovem entusiasmado, alegre e vigoroso. Ficamos um diante do outro. O velho e o novo se encontraram.

Ficamos amigos. Embora já estivesse velho, ele me ensinou muitas coisas, e eu, a ele. Abrimos-nos um para o outro. Ele me contou o seu passado, sua vida, do mundo em ruínas. Fiquei fascinado, assim como ele tinha ficado com aminha vida, com as minhas aventuras tresloucadas, minhas paixões ardentes e meu gosto de viver. Ele conheceu a vida, e eu, a morte. Morte velha, vida nova. Nova vida, velha morte. Propus então uma troca: cada um viveria o que o outro viveu. Ele me entregou a chave do Sangue Literário. Ruínas ficou com os meu óculos e minha motocicleta. Minha namorada, no entanto, não quis ficar com ele. Conclui que então ela deveria me esperar. Mas e se voltar como ele? E se a ruína daquele lugar tomar conta do seu corpo, da sua mente, da sua vida!? – disse ela. Pode ficar tranqüila, eu sei me virar, esta era a aventura que me faltava e como as outras eu vou sobreviver – respondi. Tornei-me a partir de então o Senhor Literário em Ruínas.

O velho Ruínas me pediu alguns favores antes da troca. Pediu um último post, um bilhete, no qual dizia “há muito tempo não entro neste labirinto de idéias” e que começasse o meu primeiro post, no qual, durante este, trocássemos as identidades. Foi o que aconteceu. Neste momento, Ruínas deve estar com o meu óculos e minha motocicleta percorrendo quilômetros de estrada.
E eu, já estou aqui, anunciando uma nova onda literária. Pensei em mudar o título para Sangue Poesia, pois gosto mais de poesia do que prosa. Mas, algumas outras exigências foram feitas pelo velho escritor. O senhor literário pediu que eu mantivesse a prosa, que continuasse com as Crônicas na universidade, e que não jogasse fora sua pena nem mesmo a vela. Pedi também algumas exigências: que lavasse a motocicleta toda quinta e que colasse um adesivo de dragão no meu capacete. Os óculos... Deixa pra lá.

Agora, que expus sumariamente o caso. Corto a fita vermelha. Abro os portões do novo Sangue Literário. Agora com uma nova face. Sejam bem vindos a esta tempestade de idéias, a este duelo entre um motoqueiro e as palavras. Palavras negras, poeirentas e efêmeras.

Senhor Literário em Ruínas.

sábado, 26 de abril de 2008

Faz tanto tempo...

Faz tanto tempo
que não entro
neste labirinto de idéias
...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Dorian, Dorian

Dorian, meu querido Dorian.

Você poderia me responder uma pergunta?

Qual o segredo para se ter a juventude eterna?

O quê?

Acreditas mesmo nisso.

Sinto muito, Dorian, mas não sou obrigado a acreditar em você.

Hã!?


"Nothing can cure the soul but the senses, just as nothing can
cure the senses but the soul."

O que quer dizer com isso?

Mas eu consigo ver sua alma,Dorian. Ela está exposta para todos nós vê-la, pintada neste retrato que um dia tivera o encanto e a beleza que você tem hoje. Mas você, meu caro Dorian, não pode sequer ver um resquício, uma partícula da minha alma.

Como?

Não Dorian. Isso é mentira, pura mentira.

Esse é o meu maior segredo, meu caro Dorian, como ousa dizer que você também poder ver minha alma?!

Pois, então, um dia, quando tiver coragem, eu acabo com isso.

Como? Sem a minha alma eu morrerei. Hahaa. Dorian, meu caro mancebo, o que você não sabe e que já estou morto há muito tempo.

Crônicas na Univerisdade - parte 1

O banco de madeira lá estava.
Me sentei nele, como quem não quer nada. Esperei alguns segundos para que pudesse vê-la. Pareceu-me uma eternidade. Os séculos pareciam passar pela minha cabeça em segundos. Num breve momento me imaginei numa guerra, no outro no paraíso. Mas ela não aparecia. Inútil como ela sempre, naqueles encontros às escuras, me pareceu. Inútil.

Um estudante sentou-se ao meu lado. Tentou puxar conversar. Começou a falar de reformas. Mas eu não estava interessado em reformas. Eu era em si uma destruição completa, uma montanha de pó. A última coisa que sobrou de uma reforma.
O estudante logo desconfiou, resolveu partir. Eu fiquei, pelo que pareceu mais uma eternidade.

Ela não aparecia. Das útimas vezes, ela me levava para lugares interessantes. Agora, parecia fugir de mim.

Não sei. Não sei. É inútil pensar, pois ela e eu, me parecia, sempre fomos tão próximos, que eu acreditava ter sido gerado dela. Ter sido um fruto dela.

Uma porta se abriu. Meus cabelos se eriçaram. Meu coração sofreu um leve choque. E meu estomâgo se corroeu por dentro.

Alarme falso. Não era ela. Não.
Ela fugia de mim. Me evitava. Quando, pela última vez a encontrei, ela foi fria. Mas agora ela simplesmente desapareceu.

Tanta poeira para nada. Foi o que aconteceu.

O sol já se punha. A última pessoa saiu daquele bloco, mas não ela.

Resolvi me levantar, foi quando notei que o menino havia esquecido algo. Um livro. Resolvi abri-lo e lá estava algo que eu procurava.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Momento

Tudo tem seus momentos. A vida é em si uma gama variada de momentos.
Há momentos em que nos encontramos mergulhados na tristeza, na angústia, na própria falta de sorrir.
Há momentos em que estamos felizes, radiantes, acreditando que somos iluminados pelas mãos divinas e tudo podemos.
Há pessoas que invadem nosso momento, tornando-o entendiante às vezes, ou, especial.
Há pessoas que vão se embora, sem dizer adeus.
Há pessoas que insistem em ficar.
E chega de lero-lero, pois tenho aula, e quero congelar esse MOMENTO.
Pena que é impossível, pena não, o que seria da vida se tudo fosse uma mesmice.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Uma poesia para preencher meus espaços

ALÉM ALMA
(UMA GRAMA DEPOIS)


Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.
Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?
Mais parece um relógio
que acaba de enlouquecer.
Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?


by Paulo Leminski